DOMINGOS
11:00 horas
Entrevistas: a partir das 10:30 horas

ASSISTÊNCIA  ESPIRITUAL  A  ANIMAIS

Introdução

Este texto refere-se a estudo efetuado pelos integrantes do NUVET – Núcleo de Medicina Veterinária e Espiritualidade da AME – SP (Associação Médico-Espírita de São Paulo), sobre questões relativas à assistência espiritual a animais – que contempla  a  prece, a  água fluidificada  e o passe, assunto ainda não bem conhecido e bem divulgado dentro da comunidade espírita.

A prece e a água fluidificada – a utilização desses recursos em favor de animais, não tem sido objeto de expressivas opiniões discordantes entre os espíritas, pelo contrário, particularmente aqueles que se acham ligados afetivamente aos seus animais de companhia, por vezes até recorrem espontaneamente a eles.

A aplicação de passes – a utilização deste recurso na assistência a animais é que tem sido motivo de divergências. Para o melhor entendimento desse assunto, buscamos na literatura espírita, subsídios que pudessem nos esclarecer.

No site da FEB – Federação Espírita Brasileira encontramos material sobre o passe, intitulado Estudo sobre o Passe: o passe nas reuniões mediúnicas, de autoria de Marta Antunes Moura (Brasília, 20 de março de 2004), do qual destacamos algumas informações:

Passe é uma transmissão conjunta de fluidos magnéticos – provenientes do encarnado – e de fluidos espirituais – oriundos dos benfeitores espirituais, não devendo ser considerada uma simples transmissão de energia animal (magnetização).

Esta é exatamente a conceituação referida por Emmanuel em sua obra Segue-me, onde se lê:

O passe é a transmissão de energias fisiopsíquicas, operação de boa vontade.

    A mesma conceituação sobre o que seja “passe”, vemos registrada na obra “O Passe como Cura Magnética”, da Dra. Marlene Nobre, em que lemos no cap. 2:

A ação magnética pode se produzir de três maneiras diferentes… pelo próprio fluido do magnetizador (magnetismo propriamente dito),     pelo fluido dos Espíritos (magnetismo espiritual) e pelos fluidos que os Espíritos despejam sobre o magnetizador e ao qual este serve de condutor…   O fluido espiritual, combinado com o fluido humano (magnetismo misto) dá a este as qualidades que lhe faltam(com referência à A Gênese, de Kardec (GE), cap. XIV como fonte da informação)… Conclui-se, portanto, que os passistas     das Casas Espíritas utilizam o magnetismo misto…(destaques nossos)

        Em O Livro dos Espíritos, de Kardec, (LE). Introdução,temos resumidamente as informações de que:

O princípio vital… é comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o homem. Segundo a idéia mais comum, o princípio vital se encontra num fluido especial, universalmente espalhado, do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos os corpos inertes absorverem a luz. Este seria então o fluido vital, que segundo certas opiniões, não seria outra coisa que o fluido elétrico animalizado, também designado de fluido magnético, fluido nervoso, etc.

    Em A Gênese (GE), de Kardec, cap. XIV – Os Fluidos, item 31, está o seguinte esclarecimento:

A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas depende também da energia da vontade, a qual provoca uma emissão fluídica mais abundante e dá ao fluido uma força maior de penetração; depende enfim, das intenções que animam aquele que quer curar, quer seja ele homem, ou Espírito. Os fluidos que emanam de uma fonte impura são como substâncias médicas alteradas (destaques nossos).

    Conclusão sobre o que se pode entender como passe a ser aplicado em animais, em casas espíritas: é um procedimento efetuado por um encarnado, que doará ao paciente fluidos magnéticos de boa qualidade, resultantes da vontade firme e da intenção benevolente de auxiliar, sendo que a esses fluidos magnéticos serão acoplados fluidos espirituais emanados dos Espíritos benfeitores que assessoram essa atividade.


ALGUMAS QUESTÕES


1. “O Sr. T. magnetizou o seu cão e com isso o matou”

    Em O Livro dos Médiuns, cap. XXII – Da Mediunidade nos Animais, item 236, o Espírito Erasto relata:

…não mediunizamos diretamente nem os animais nem a matéria inerte. Precisamos do concurso consciente ou inconsciente de um médium humano, porque necessitamos da união dos fluidos similares, que não encontramos nos animais nem na matéria bruta. O Sr. T., dizem, magnetizou o seu cão. A que resultado chegou? Matou-o. Porque esse infeliz animal morreu depois de haver caído numa espécie de atonia, de langor, consequência de sua magnetização. Com efeito, infiltrando-lhe um fluido haurido numa essência superior à essência especial de sua natureza, ele o esmagou, agindo sobre ele, embora mais lentamente, à semelhança de um raio. Assim, não havendo nenhuma possibilidade de assimilação entre o nosso perispírito e o envoltório fluídico dos animais propriamente ditos, nós os esmagaríamos imediatamente ao mediunizá-los (destaques nossos).

    Nosso comentário sobre esse texto de Erasto – as pessoas com opinião contrária à aplicação de passes nos animais, valem-se,com frequência da citação deste texto de Erasto.

    Entretanto, é necessário observar-se que Erasto aí não se referia propriamente à aplicação de passes nos animais, que em condições adequadas necessariamente contempla, conforme já referimos, não apenas a atuação do passista, com transmissão de fluido magnético ao paciente, mas também a ação dos bons Espíritos, que somam aos fluidos magnéticos emitidos pelo passista, fluidos espirituais de boa qualidade, direcionando-os com vontade firme e intenção benevolente de auxiliar, de acalmar as dores, de diminuir o sofrimento da criatura que está sendo atendida.      No episódio em que o Sr. T. teria matado o seu cão, ele simplesmente o magnetizou, não lhe aplicou um passe. São duas coisas completamente diferentes, não há como confundi-las.

    Quanto à citação de Erasto de que o Sr. T. teria matado o seu cão, infiltrando-lhe um fluido haurido numa essência superior à essência especial de sua natureza, é bastante oportuno o que se lê na GE. XIV:

Como os odores, eles (os fluidos) … trazem o     cunho dos sentimentos de ódio, de inveja, de ciúme, de orgulho, de egoísmo, de violência, de hipocrisia, de bondade, de benevolência, de amor,     de caridade, de doçura, etc. Sob o aspecto físico, são excitantes, calmantes, penetrantes, adstringentes, irritantes, dulcificantes, soporíferos,     narcóticos, tóxicos, reparadores, expulsivos; tornam-se força de transmissão, de propulsão, etc.

Portanto, não é admissível que um fluido de essência  “superior” tenha sido por si só a causa da morte do pobre cão. Salta aos olhos o fato que o Sr. T. não aplicou em seu cão, um passe com boa vontade, com o coração magnânimo, pretendendo beneficiar a sua saúde ou curá-lo de alguma doença, conferindo portanto aos seus fluidos, características que pudessem qualificá-los de calmantes, dulcificantes ou reparadores . Ele apenas o magnetizou, ou seja, transmitiu ao cão, o seu fluido magnético, sabe-se lá com que intenção! Portanto, se a magnetização o matou, é porque agiu de má-fé e seus fluidos eram de má qualidade. É o que podemos concluir, após os esclarecimentos citados em A Gênese (GE), cap. XIV – Os Fluidos, item 31, Kardec (Os fluidos que emanam de uma fonte impura são como substâncias médicas alteradas).

    Outra possibilidade, é que o Sr. T. não tenha propriamente magnetizado o seu cão, mas tenha vampirizado o seu fluido vital, à semelhança do que fazem certas pessoas que “matam” passarinhos e plantas, segundo o que se ouvia com frequência tempos atrás, na cultura interiorana de transmissão oral, quando era mais comum a criação de pássaros em gaiolas. Então era corrente a recomendação de que quando um visitante desejasse muito adquirir um de seus canários, pintassilgos ou outro pássaro qualquer, o melhor seria   ceder-lhe prontamente o animal, pois caso contrário correria o sério risco de ver em seguida, o animal morrer em consequência da  “inveja” do pretenso comprador.

    Hermínio Miranda relata, em seu livro Diversidade dos Carismas, volume I, no capítulo XI – Mau Olhado, a  “Desencarnação do Chuchuzeiro”, detalhando como em poucas horas seu viçoso chuchuzeiro sucumbiu completamente aos “elogios” de uma vizinha “como se lhe houvessem extraído, de uma só vez, toda a sua vitalidade”. E é o que deve ter acontecido !

O autor revela ainda que uma dúvida muito grande sobre o que realmente acontecera (ele era então muito jovem), teria ficado em sua mente por muito tempo, até deparar-se com a questão LE.552, em que se lê:

Algumas pessoas dispõem de grande força magnética, de que podem fazer mau uso, se maus forem seus próprios espíritos, caso em que possível se torna serem secundados por outros espíritos maus.

    Se o Sr. T. matou o seu cão por magnetização ou vampirização, isso não representa o foco de nosso interesse neste momento. O que importa é fazer a distinção do que aconteceu neste caso, que não foi aplicação de um passe, procedimento totalmente diferente.


2.    Em outra questão, pergunta-se se um passe transmitido com intensa carga fluídica poderia matar um animal fragilizado por doença ou velhice.

    Vamos ter em mente as características do passe – transmissão de fluidos magnéticos emanados do passista, aos quais se somam fluidos espirituais emanados dos bons Espíritos, havendo de ambas as fontes, firme intenção e vontade benevolente de fazer o bem, o que confere boa qualidade à totalidade dos fluidos endereçados ao paciente.  Em outras palavras, o passe é um ato de amor, e um ato de amor não pode prejudicar ninguém, sejam animais ou seres humanos.

    A ASSEAMA Associação Espírita Amigos dos Animais – o primeiro  centro espírita de São Paulo, totalmente dedicado à assistência espiritual de animais e fundado em 2006, atende em média 300 animais por semana e tem cerca de 10 mil animais catalogados para atendimento espiritual à distância, inclusive de outros países. Segundo sua presidente, a médica veterinária Dra. Sandra Calado, jamais se registrou um único caso em que a aplicação de passes tenha causado qualquer tipo de dano ou efeito colateral indesejável nos atendidos. Insiste a Dra. Sandra em dizer que todos os trabalhadores da casa são veganos (não comem carne e nem usam qualquer produto de origem animal) e sentem naturalmente afeto e respeito pelos animais, fazendo de sua tarefa, um ato espontâneo de amor. O Sr. T. certamente não estaria incluído entre eles…

    Já existem outras instituições espíritas em São Paulo e em várias cidades do país, que atendem espiritualmente animais, e que serão relacionadas no final deste texto.

    André Luiz, em Conduta Espírita, cap. 33 –Perante os Animais, presta seu incentivo às instituições que velam pelos animais:

Apoiar, quanto possível, os movimentos e as organizações de proteção aos animais, através de atos de generosidade cristã e humana compreensão. Os seres da retaguarda evolutiva alinham-se conosco em posição de necessidade ante a Lei.

    Herculano Pires, em sua obra Mediunidade. Vida e Comunicação, cap. 11 – Mediunidade Zoológica, assim se expressa a respeito do assunto:

A assistência mediúnica aos animais é possível e grandemente proveitosa. O animal doente pode ser socorrido por passes e preces e até mesmo com os recursos da água fluidificada.

Como se lê na contracapa da obra “O Passe como Cura Magnética”, da Dra. Marlene Nobre:

Estudar o passe é descobrir que ele é também uma cura magnética – uma terapia simples, sem contra indicação, que tem beneficiado milhares de criaturas humanas(destaque nosso).

    Então, por que não estendermos o recurso dessa terapia simples, sem contra indicação, aos animais? Haverá algum motivo razoável para que não possamos considerá-los dentro do halo do “nosso próximo”?

No livro Emmanuel, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, capítulo Sobre os Animais, encontramos a recomendação:

… Recebei como obrigação sagrada o dever de amparar os animais na escala progressiva de suas posições variadas no planeta. Estendei até eles a vossa concepção de solidariedade…

O mentor Alexandre, em Missionários da Luz, cap. 4, de André Luiz, também nos alerta:

A missão do superior é a de amparar o inferior e educá-lo… sem amor para com os nossos inferiores, não podemos aguardar a proteção dos superiores.

    Os benfeitores espirituais participantes dos trabalhos de assistência espiritual aos animais, conhecedores, mais do que nós encarnados, das reais necessidades de cada animal, conferem aos fluidos as necessárias características para seu particular atendimento. Se estiver previsto o desencarne do animal, o passe poderá até auxiliar o processo, para que o desligamento se faça de maneira mais amena. Isso é muito diferente da possibilidade aventada, de o passe “matar” o animal. A atuação dos Espíritos nos desencarnes (humanos), pode ser esclarecida com a leitura do livro Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz, o que pode servir de base para nossas reflexões sobre o processo de desencarne dos animais.


3. Pergunta-se: o fluido vital dos seres humanos não seria “diferente” do fluido vital dos animais, havendo portanto impossibilidade de ação do passe entre espécies diferentes?

    Vamos partir de algumas informações contidas em O Livro dos Espíritos (LE), de Allan Kardec:

LE. 65 – O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos? R – Ele tem como fonte o fluido universal; é o chamado fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.

LE. 66 – O fluido vital é o mesmo para todos os seres orgânicos?          R – Sim, modificado segundo as espécies…(destaques nossos).

Desta última resposta é que nasce a dúvida sobre eventual  incompatibilidade de fluidos entre espécies, o que impediria a ação benéfica do passe em atendimento a animais. Temos de observar que esta mesma resposta esclarece que “o fluido vital é o mesmo para todos os seres orgânicos, embora modificado segundo as espécies”. Ora, conforme se lê na GE. XIV:

        … os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais…    Empregando o pensamento e a vontade…  Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam… mudam-lhes as propriedades.

Ora, se os Espíritos têm esse poder de modificação dos fluidos espirituais pela ação do seu pensamento e da sua vontade, certamente poderão realizar o mesmo em relação aos fluidos magnéticos do passista – por sua solicitação e consequente permissão, dessa forma promovendo a adequação tanto dos fluidos espirituais que deles emanam, durante a atividade de aplicação dos passes, quanto dos fluidos vitais dos encarnados.

Como também refere a GE. XIV:

… os fluidos dissemelhantes se repelem; há incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos, como entre o azeite e a água.

Conectados encarnados e desencarnados na realização desse ato de amor, que é o passe no atendimento de animais, somente poderemos concluir sobre a existência de perfeita compatibilidade entre os fluidos espirituais de amor dos Espíritos  com os fluidos magnéticos de amor dos passistas.

Concluindo, é nosso parecer favorável à assistência espiritual a animais, que contempla  a prece, a água fluidificada e os passes, sendo que estes devem ser aplicados em Casas Espíritas que tenham se preparado adequadamente para esse tipo de atendimento.

    Esta nossa postura tem ressonância com a recomendação que encontramos em Conduta Espírita, de André Luiz, capítulo 33 – Perante os Animais:

No socorro aos animais doentes, usar os recursos terapêuticos possíveis, sem desprezar mesmo aqueles de natureza mediúnica que aplique a seu próprio favor. A luz do bem deve fulgir em todos os planos.

São Paulo, 18 de junho de 2013